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H i s t ó r i a d a E s c o l a
Nascença e devir de uma instituição
Foi mesmo assim que, de harmonia com a reinterpretação lapidar de Fernando Pessoa, nasceu também a Escola Comercial e Industrial de Santo Tirso. A 18 de Junho de 1954. Um decreto-lei - o n.º 39 700 - lhe registou o nascimento. Mas, após uma longa gestação de que a imprensa local se fazia eco.
Quem não sentia o problema? Uma curva demográfica de uma população jovem em aumento progressivo - 100% de avanço, no curso da primeira metade do século presente - , de um lado. Do outro, uma agricultura que a arredava e um ensino secundário - o tão antigo Liceu Municipal - que, de facto, não seduzia. Ficava aberto e escancarado o caminho à implantação da Escola Industrial. De resto, a laboração fabril, apesar de momentos de oscilação, foi substancialmente progredindo; e as empresas - certo, com lentidão - , abriram-se a algumas das reformas sociais e humanas que a lavoura não dava nem sequer prometia...
O nascimento da Escola foi a morte do Liceu Municipal. O registo do natal da primeira foi o assento de óbito da segunda instituição. De comum, apenas as velhas estruturas arquitectónicas que o legendário Conde de S.Bento, ao último fôlego do século passado, ergueria para assistência hospitalar. Três níveis de formação para a unidade escolar, que, em 1954, se instituiria:
Alegraram os passos iniciais da Escola um punhado buliçoso de alunos. Uns 73 no Ciclo Preparatório, que se abriu em 1954. Mas a árvore prometia crescimento; e, um ano depois, já com o Curso Geral do Comércio a funcionar, a população estudantil, logo vai ao dobro.
Bastariam os números e, mais que eles, a qualidade dos trabalhos, para a evidência recortada da efeméride. Devido à grande fiada de participantes, as teses foram distribuídas por três secções, a que presidiram o Prof. Doutor Luís de Pina, da Universidade do Porto; o Prof. Doutor Santos Júnior, da mesma Universidade; o nosso distinto conterrâneo Doutor António Cruz, da Faculdade de Letras do Porto e, à altura, Director da Biblioteca Pública Municipal da mesma cidade.
Cento e quarenta e seis comunicações de especialistas, que vinham em nome de 15 Sociedades e Instituições, que representavam bastantes Universidades, num conjunto alargado de dezoito países... Seis densos volumes, com as participações activas no Congresso: repositório e nascença de úbere manancial de informações, comentários e estudos que, durante alguns dias, fizeram da nossa Escola o centro donde os especialistas de maior nomeada auscultaram o ritmo e as pulsações da cultura e da arte popular do mundo inteiro.
Tudo o que humano é nasce sob o signo ou fado da contingência. Nunca nos banhamos na mesma água, repito. Por razões oriundas, sobretudo, da legislação oficial, a Escola repensa a sua marcha e reorganiza a sua caminhada:
O beneplácito das entidades oficiais correu de feição e fez lei: Portaria n.º 261/87, de 2 de Abril. Assim se decidiu: Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Educação e Cultura, que as escolas a seguir indicadas passem a designar-se, respectivamente (...) Escola Secundária n.º 1 de Santo Tirso - Escola Secundária de Tomaz Pelayo, de Santo Tirso. Poldras que recordam o fluxo de uma instituição. Marcos miliários de um estabelecimento de ensino, na sua caminhada ao longo da história, ele que celebra este ano o centenário de nascimento do seu patrono. Que fiquem para memória... |
Texto de Francisco Carvalho
Correia (professor do 8º Grupo A)
Desenhos de Avelino Leite (professor do 5º Grupo)
Icons de selecção de Rui Coutinho (professor do 5º Grupo)
Imagens das obras de Tomaz Pelayo retiradas da publicação da Câmara Municipal de Sto
Tirso/ Museu Municipal Abade Pedrosa